Para um profissional de saúde, um vazamento de dados de pacientes pode gerar processo no conselho de classe, multa da ANPD e perda de confiança dos pacientes. A proteção começa na criptografia do sistema que você usa, e existem 2 níveis bem diferentes disso no mercado. Saber diferenciá-los não exige conhecimento técnico: bastam 3 perguntas.
O que a lei já exige
A LGPD classifica dados de saúde como dados sensíveis e exige medidas de segurança reforçadas para tratá-los. O CFP (Resolução 06/2019 para psicólogos) e o COFFITO (para fisioterapeutas) vão além e exigem criptografia especificamente para prontuários eletrônicos.
Na prática, isso significa que qualquer sistema que você usar para guardar registros clínicos precisa ter criptografia. O que a lei não especifica é qual tipo. E essa diferença é grande.
Dois tipos de criptografia que qualquer sistema pode ter
Antes de entrar nos detalhes, uma distinção básica que vale entender.
Criptografia em trânsito protege os dados enquanto eles viajam entre o seu computador e o servidor do sistema. É o equivalente a colocar uma carta dentro de um envelope selado antes de enviá-la. O conteúdo fica protegido no caminho, mas quando chega ao destino, o envelope é aberto. Hoje em dia, qualquer sistema sério tem isso (é o famoso cadeado que aparece no navegador).
Criptografia em repouso protege os dados quando estão armazenados no servidor, não só durante o trajeto. É aqui que as diferenças importantes aparecem, e é aqui que muitos sistemas ficam aquém.
A diferença que realmente importa: por campo vs na infraestrutura
Dentro da criptografia em repouso, existem duas abordagens bem diferentes.
Criptografia na infraestrutura significa que o provedor de armazenamento (AWS, Google Cloud, Azure) criptografa o banco de dados como um todo. É uma proteção válida, mas tem uma limitação importante: a empresa que hospeda os dados tem acesso à chave. Se um funcionário desonesto do provedor, ou um invasor com credenciais de acesso ao servidor, entrar diretamente no banco, consegue ler os prontuários dos seus pacientes.
Criptografia por campo vai um nível além. Cada campo sensível do prontuário (o conteúdo das notas clínicas, o CPF, a data de nascimento, o endereço do paciente) é criptografado individualmente antes de chegar ao banco de dados. O servidor de armazenamento guarda os dados, mas vê apenas sequências de caracteres sem sentido. A chave de descriptografia fica em outro lugar, separada dos dados.
A diferença prática: no primeiro caso, quem acessa o banco vê os dados. No segundo, quem acessa o banco vê algo assim:
conteudo_prontuario: "ENC:v1:xK9mP2qR7nL4wJ8vN3mKtY..."
cpf: "ENC:v1:aB3cD9eF2gH7iJ1kL6mN..."Sem a chave, é indecifrável.
Chaves separadas por clínica: por que isso protege mais
Um sistema bem projetado vai além da criptografia por campo. Ele usa uma chave de criptografia diferente para cada clínica ou consultório.
O raciocínio é simples: se todas as clínicas compartilham a mesma chave, comprometer essa chave expõe os dados de todos. Com chaves separadas por clínica, derivadas de uma chave mestra que fica no servidor de aplicação (nunca no banco de dados), comprometer os dados de uma clínica não afeta as outras.
Para o profissional autônomo isso pode parecer detalhe técnico. Mas em termos práticos significa que os dados dos seus pacientes são criptograficamente isolados dos de qualquer outro usuário do sistema.
As 3 perguntas para fazer ao seu sistema
Não é necessário entender os detalhes técnicos. Basta enviar essas 3 perguntas ao suporte do sistema que você usa ou avalia:
1. Os dados dos prontuários são criptografados em repouso, ou só durante a transmissão? A resposta que você quer ouvir: em repouso também.
2. A criptografia é por campo (field-level encryption) ou só na infraestrutura de armazenamento? A resposta que você quer ouvir: por campo. Se a resposta for "usamos AWS com criptografia" ou "criptografia em nuvem", é provável que seja só na infraestrutura.
3. A chave de criptografia fica separada do banco de dados? A resposta que você quer ouvir: sim, a chave fica no servidor de aplicação, nunca no banco. Se o banco e a chave estiverem no mesmo lugar, a proteção é menor.
Se o sistema não souber responder essas perguntas com clareza, isso já é uma informação.
Checklist: o que verificar no sistema que você usa
O sistema usa criptografia em trânsito (HTTPS/TLS)?
Os dados em repouso são criptografados, não só os dados em movimento?
A criptografia é por campo, não só na infraestrutura de armazenamento?
A chave de criptografia fica separada do banco de dados?
O sistema usa padrões reconhecidos internacionalmente (AES-256, por exemplo)?
Existe documentação técnica ou política de segurança disponível para consulta?
Os dados de clínicas diferentes são isolados criptograficamente entre si?
Perguntas frequentes
Criptografia em nuvem é o mesmo que criptografia por campo? Não. "Criptografia em nuvem" geralmente se refere à proteção oferecida pelo provedor de infraestrutura (AWS, Google Cloud), que criptografa o armazenamento como um todo. Criptografia por campo é uma camada adicional aplicada pelo próprio sistema antes de os dados chegarem ao armazenamento. As duas podem coexistir, e a melhor proteção tem as duas.
Meu sistema diz que é "seguro como banco". Isso é suficiente? Essa é uma comparação de marketing, não uma especificação técnica. Bancos usam múltiplas camadas de segurança, mas o que importa é quais camadas específicas o sistema de saúde implementa. Pergunte pelos detalhes.
Se o sistema tem LGPD compliance, a criptografia já está garantida? Não necessariamente. LGPD compliance significa que o sistema respeita os direitos dos titulares (acesso, correção, exclusão, portabilidade). Criptografia por campo é uma medida técnica de segurança. Um sistema pode ter compliance LGPD sem ter criptografia por campo.
Qual padrão de criptografia é considerado seguro para dados de saúde? AES-256 (Advanced Encryption Standard com chave de 256 bits) é o padrão adotado por organizações de segurança como o NIST e é o mais utilizado para dados sensíveis. No modo GCM, além de criptografar, ele verifica se os dados foram adulterados. É o padrão que o CFP referencia para prontuários eletrônicos.
Onde fica a chave de criptografia no sistema ideal? No servidor de aplicação, separada do banco de dados. Nunca dentro do banco. Se banco e chave ficam no mesmo servidor, um invasor que acessa o banco já tem tudo que precisa.
O Clinitra implementa criptografia AES-256-GCM por campo, com chaves derivadas separadamente por clínica e armazenadas exclusivamente no servidor de aplicação, nunca no banco de dados. Essa arquitetura atende às exigências do CFP (Resolução 06/2019), do COFFITO e da LGPD, e está disponível em todos os planos incluindo o gratuito. Conheça o Clinitra em clinitra.com.br.